Auschwitz: Tatuagem e Tortura

Auschwitz: Tatuagem e Tortura

Compartilhe

Ontem, 15, foi a páscoa judaica ou “pessach“, conhecida como a “Festa da Libertação” que celebra a fuga dos hebreus da escravidão no Egito em 14 de Nissan (primeiro mês do calendário judaico) no ano aproximado de 1280 a.C. Esse povo é muito ligado em sua história, em datas festivas ou tristes. Lembrar para manter viva a tradição ou para evitar que tragédias se repitam, esse é o objetivo do culto à memória.

Recentemente foi apresentado à imprensa mundial, “carimbos” que eram usados no Campo de Concentração de Auschwitz para marcar os prisioneiros judeus com seu número de identificação. As peças foram preparadas e estão prontas para serem exibidas no Museu de Auschwitz na cidade de Oswiecim, na Polônia, onde farão parte de uma nova coleção.

O portão principal do campo de concentração nazista de Auschwitz, onde foram utilizados os dispositivos para carimbar tatuagens no peito dos presos, de 1941, antes de ser substituído por um sistema mais simples

O portão principal de Auschwitz, onde foram utilizados as peças para tatuar os números de identificação dos prisioneiros até1941, quando foi substituído por um sistema mais simples e eficaz (foto: AP)

Claro que já existiam máquinas e métodos de tatuagem bem menos dolorosos, e é claro que os nazistas escolheriam a pior delas. Só que essas peças eram tão arcaicas que se revelariam pouco práticas, e logo eles optariam por outro método, mais veloz, possível de fazer marcações em massa. Diferente do que imagina a maioria das pessoas, apenas em Auschwitz os prisioneiros tinham marcados nos corpos o seu número de prisioneiro. O que era “apenas” uma crueldade a mais… Já falamos sobre isso na série Tattoos x Religiões, no post sobre judaísmo: ‘A Torá (escritura sagrada judaica) declara explicitamente que “não farás tatuagem em seu corpo.” (Vayicrá 19:27). Os judeus tatuados (e também aqueles que o corpo não estiver completo) não serão sepultados em cemitério judaico.

Para ler a reportagem completa sobre os carimbos (em inglês), clique aqui. E confira abaixo alguma das peças que farão parte da nova exposição:

tatuagem nazista em judeus4

o método consistia em martelar o carimbo no peito do prisioneiro, num único golpe, e depois “limpar” a ferida com tinta, processo repetido em média cinco vezes por prisioneiro (foto: EPA)

tatuagem nazista em judeus6

cinco carimbos de tatuagem, alinhados, mais ou menos como ficavam impressos nos prisioneiros (foto: EPA)

tatuagem nazista em judeus5

as peças de tatuagem, em detalhe (foto: EPA)

tatuagem nazista em judeus3

Bessie Mittelman (82) ajuda a mostrar o número tatuado no peito de seu marido Manny Mittelman (88). Ele é um dos poucos sobreviventes de Auschwitz com o número de identificação de prisioneiro tatuado pelo método grotesco dos carimbos acima. Em 1941 foi substituído por outro método de tatuagem mais simples, e os prisioneiros passaram a ser tatuados no braço (foto: AP)

Auschwitz foi o mais notório dos campos de concentração nazistas. Nele foram assassinados 1,1 milhão de judeus; era dividido em três partes: Auschwitz I (o campo base) Auschwitz II – Birkenau (o campo de extermínio) e Auschwitz III – Monowitz (campo de trabalho); foi libertado pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945, o dia foi posteriormente declarado Dia Internacional do Holocausto; após a libertação, tornou-se um símbolo do holocausto e foi transformado em museu em 1947.

Compartilhe